Herodas, autor de mimos, do século III a.C., chegou aos dias atuais graças à sobrevivência de oito peças e de alguns fragmentos, escritos em coliambos, denominados, por isso, mimiambos. Sabe-se quase nada acerca da vida desse autor. Há uma referência feita por Plínio, o jovem, em 100 a.C., que cumprimenta seu amigo Árrio Antônio quanto à elegância e à beleza de seus epigramas e de seus mimiambos, pensando estar lendo Calímaco ou Herodas, ou melhores que esses, se existirem (Ep. iv. 3.4). Logo, é possível inferir que ele seja contemporâneo desses autores, podendo-se assinalar a sua atividade poética entre 270–250 a.C., o apogeu da poesia helenística. Faz-se essa inferência, também, a partir de referências internas, contextuais da sua obra. Quanto aos mimiambos, representam cenas do cotidiano, mas com certo tom sarcástico e caricaturesco, com uma inflexão cômica. Eram escritos em grego jônico, mas com recorrências ao ático e ao dórico, em uma linguagem do dia a dia, mesclada com provérbios. Tipicamente helenísticos, os diálogos são curtos, os assuntos de que trata cada um são novos para a poesia de antanho, cenas da vida comum, ditas realistas também por representar personagens não contemplados pela literatura em fases anteriores, como escravos, comerciantes, e, sobretudo, mulheres desempenhando papeis distintos – a escrava, a prostituta, a mãe, a esposa, a ciumenta etc. Tais quadros concernem a uma realidade diferente daquela vivida pelos espectadores, audiência voltada ao cultivo da erudição. Trata-se de poetas que escrevem e são lidos por outros poetas. Nesse cenário, o riso se interpõe, suscitado, sobretudo, pela caracterização e atuação dos personagens-tipo, cuja singularidade compõe a peculiaridade das cenas mostradas. Neste volume, Alcione Lucena de Albertim nos apresenta um estudo sobre o tema, acompanhado da tradução da obra de Herodas.
Os Mimiambos de Herodas
14 x 21
